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Moran: ‘Seria bom que recobrássemos o juízo já’
15/04/12
Quando o assunto é a questão ambiental, precisamos ter um debate mais franco sobre quais são de fato as necessidades humanas e, consequentemente, o que significa ter uma vida confortável e economicamente viável. É o que preconiza o antropólogo Emilio Moran, professor visitante no programa de pós-graduação em Ambiente e Sociedade do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp. Moran está ministrando um curso neste semestre a convite da coordenadora do Projeto Clima, professora Lúcia da Costa Ferreira. O Projeto Clima do Nepam e Núcleo de Estudos de População (Nepo), ambos da Unicamp, é um projeto temático financiado pela Fapesp, cujo objetivo é compreender como as dinâmicas demográficas e sociais interagem com as dinâmicas ecológicas, numa região de alta vulnerabilidade ambiental – o litoral de São Paulo – em um contexto de mudança climática global. Na entrevista que segue, Moran, que é da Universidade de Indiana (EUA), fala também sobre o desmatamento na Amazônia, o consumismo e o papel do Brasil em reuniões como a Rio+20, entre outros temas.
Jornal da Unicamp – Em seus estudos sobre o desmatamento, o senhor afirma que historicamente tem se observado que em algum ponto da trajetória de desflorestamento, sociedades começam a “recobrar o juízo” e passam a impor restrições aos que cometem devastações sem ônus. Em que estágio estaríamos em relação à Amazônia, atualmente? Já “recobramos o juízo”?
Emilio Moran — Nós estamos muito longe disso. As taxas de desmatamento ainda são altas, muitas atividades econômicas ainda continuam devastando a floresta, como a soja, o gado, que cada vez mais precisam de áreas novas. Seria bom que recobrássemos o juízo já, mas ainda estamos longe disso. Precisamos equilibrar desenvolvimento econômico com a conservação da floresta.
JU – Quais os principais fatores que influenciam o desmatamento da Amazônia?
Emilio Moran — O país quer incorporar a Amazônia como parte de seu desenvolvimento e isso implica o uso da área. Em minha opinião, o que está faltando é um zoneamento em que se identifiquem áreas que possam ser manejadas e devam ser protegidas. Estamos num padrão em que depois que já desmataram é que as pessoas descobrem se uma área é boa ou não para exploração agrícola. Temos os recursos hoje para saber isso antes do desmatamento, mas ninguém procede assim. Estamos deixando as pessoas agirem para, somente depois, tentar recuperar uma área perdida que era importante. Mas, aí, já destruíram as espécies nativas. Além disso, temos que mudar os valores da nossa sociedade, dar mais valor à água, e menos ao carro, por exemplo. Precisamos de uma economia e uma ecologia por meio das quais todo mundo se beneficie.
JU – Em um dos seus livros, o senhor fala da sabedoria e sensatez dos povos amazônicos, que correlacionam o mágico e a floresta. Atualmente, estamos caminhando para valorizar esta sabedoria ou ainda estamos longe disso?
Emilio Moran — No geral a sociedade nacional não valoriza o conhecimento indígena, o conhecimento do caboclo da Amazônia. Eles são vistos como preguiçosos, como pessoas que não têm educação. É uma pena, porque essas pessoas têm conhecimentos que poderiam ser muito úteis para o uso dos recursos da floresta. Por exemplo, os índios sabem que uma área não é boa para agricultura avaliando a cor do solo e olhando quais as espécies que crescem em certos locais; se os escutássemos mais, não acabaríamos abrindo áreas na floresta, que logo em seguida serão abandonadas, pois o solo não era apropriado para exploração agrícola. Seria uma economia para a União e para os colonos que tentam e não conseguem produzir nessas áreas tidas como ‘fracas’.
Há um conflito entre a sociedade brasileira que quer ocupar a área indígena para uso econômico e o conhecimento indígena. Por exemplo, os colonos que se dirigiam para a Amazônia na época do projeto da Transamazônica: quase nenhum deles perguntava aos caboclos como eles faziam as coisas; não havia interesse pelo conhecimento do povo local. E quando falavam deles, falavam mal, como se os caboclos ou índios fossem preguiçosos e não trabalhassem. Só que o que o colono não percebia que o caboclo, o índio, estavam trabalhando com mais efeito, pois sabiam o que fazer na floresta, respeitando os horários possíveis de trabalho dentro do calor amazônico, por exemplo, e plantando variedades mais apropriadas aos solos e clima da região.
JU – Com a aproximação da Rio+20, qual sua opinião sobre o papel do Brasil no quadro internacional em relação ao desenvolvimento sustentável?
Emilio Moran — O Brasil teve um papel importante em 1992, enfatizando muito que não pode haver proteção ambiental sem pensar o desenvolvimento humano. Essa foi uma das grandes contribuições do Brasil naquele debate e que ainda é uma preocupação brasileira e de muitos países do terceiro mundo: não se esquecer dos pobres nesta discussão. O que considero que não está correto é que não se questiona quem é que se beneficia com o desmatamento da Amazônia, por exemplo. Não é o pobre. É uma fatia muito pequena de empresários que se beneficia. O pobre é sempre o mais prejudicado.
O discurso contra medidas rigorosas ambientais, escondido atrás da ideia de desenvolvimento econômico, beneficia mais o rico do que o pobre, pois este último é quem arca diretamente com as maiores consequências. O desenvolvimento econômico, do modo como vem sendo pensado hoje, privilegia as classes mais favorecidas, jogando todo o peso nas costas do pobre e da sociedade.
JU – Como o senhor enxerga as decisões tomadas no âmbito internacional em relação a mudanças climáticas?
Emilio Moran — As decisões estão paradas. Países como EUA, Japão, China e Rússia, entre outros, não estão dando bons exemplos de participação porque estão mais preocupados em concorrer pela dominância econômica. Eles acham que, se agirem de uma forma ambientalmente correta, podem sofrer economicamente. Temos que parar de pensar que ou é uma coisa ou outra. Temos que pensar em uma economia limpa, numa economia sustentável.
JU – De acordo com a ONU, chegamos a 7 bilhões de pessoas no mundo, em 2012. É possível estabelecer uma relação entre aumento da população e problemas ambientais?
Emilio Moran — O problema não é a população em si. A população é parte do problema, claro, mas a chave da questão está também no nível do consumo. Os países que têm poucas pessoas, como os europeus, consomem muito, então seu peso ambiental é grande; por outro lado, a Índia e China que têm muita gente, mas ainda não têm o nível econômico de outros países, também têm um impacto ambiental enorme, por causa do tamanho da população. Temos que chegar a um ponto de reduzir o nível de consumo dos países do primeiro mundo, pois se consome muito mais do que se precisa para viver bem. E os demais países, onde a população ainda não tem acesso a um nível de conforto, deveriam chegar numa média e parar num certo nível; eles não podem consumir de maneira absurda.
Países como os Estados Unidos são modelos para os demais. Trata-se de um modelo absolutamente consumista. Precisamos ter uma conversa mais franca e aberta sobre o que é felicidade, o que é uma vida responsável, e não agir sem reflexão, ignorando o que se passa no mundo. A China e a Índia já mostram sinais de terem entrado no consumismo sem limites. O planeta não pode suportar essa inconsequência.
JU – O senhor é otimista ou pessimista em relação ao futuro. Sobreviveremos?
Emilio Moran — Eu sou otimista, porque assim você procura soluções. E acho que é essa a preocupação que todos os países devem ter: um otimismo, mas não um otimismo que acredita que pode continuar o que está fazendo porque algum dia alguém vai inventar uma solução técnica. Essa posição evita uma reconsideração do padrão atual, que não é sustentável, sabemos disso. Entretanto, sem uma retomada de consciência, estaremos muito mal num futuro próximo. Precisamos de soluções morais, éticas e responsáveis: todos nós compartilhamos o mesmo planeta e somos responsáveis pela sobrevivência e bem-estar de todos.
Com uma formação essencialmente multidisciplinar, Moran já esteve à frente de projetos internacionais como o Global Land Project (GLP) e o Land Use and Land-Cover Change Program (LUCC) – que analisam como as atividades humanas vêm alterando os processos biológicos, químicos e físicos do planeta.
Especial para o JU
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2012/ju522_pag11.php#
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HORTAS CASEIRAS
04/04/12
Hortas caseiras: uma colheita de vantagens
A produção de hortaliças nos quintais, ou até mesmo em jardineiras, tem sofrido acentuada redução, tendo em vista, entre outros fatores, diminuição de espaços disponíveis, falta de conhecimento sobre a formação de hortas e de tempo das pessoas e, principalmente, a dificuldade de se trabalhar nos canteiros por exigir considerável esforço físico, entre outros fatores.
No entanto, entre os benefícios que uma horta caseira pode trazer podem ser citados: reaproveitamento de recipientes para plantio, reciclagem de resíduos orgânicos, exercício da educação ambiental para a família, colheita de saúde, laborterapia, geração de renda, capacitação de pessoas, grande economia e contribuição para melhorar as condições ambientais da cidade, pois minimiza o efeito estufa e contribui na absorção do gás carbônico.
Hortaliças cultivadas na sua casa, podendo ser colhidas bem frescas, sem agrotóxicos, inclusive enfeitando o jardim, não é tão complicado como muitos imaginam. Se seguir algumas dicas, com menos de uma hora por semana, conseguirá manter o cultivo que renderá os benefícios desejados.
Poderá ser usado o quintal, jardineiras na janela, e até aproveitamento de terrenos baldios e espaços ociosos em áreas públicas, desde que autorizados, como escolas e postos de saúde.
Para uma família, de 5 a 7 pessoas, com 100 m2 ela terá quase todas as hortaliças que necessite, e produzirá quase 70% das necessidades nutricionais. Se considerarmos apenas uma pessoa, 10 m2 serão suficientes. Mesmo em um vaso comum é possível obter produções interessantes, pois um tomateiro produz até 4,0 kg, e uma planta de berinjela pode ultrapassar os 20 kg de frutos.
Em 1 m2, podem ser produzidos 36 alfaces por ano, ou 6 kg de cenoura. Há hortaliças em que uma planta pode fornecer o ano todo, como a cebolinha e a couve.
Em matéria de rapidez, as hortaliças são campeãs, pois em menos de 30 dias já é possível colher rabanetes; e em dois meses, rúcula e abobrinha. Muitas são colhidas em até três meses.
Produzindo adubo caseiro
1. Na composteira com tampa, separe restos de comida, cascas de frutas e de legumes, pó de café e demais resíduos orgânicos gerados na cozinha, tomando cuidado par não deixar acumular por mais de uma semana, pois poderá provocar mau cheiro.
2. Se houver papel disponível, intercale, na composteira, com os detritos da cozinha, pois ele será útil, absorvendo o excesso de umidade. Desnecessário dizer que não se deve utilizar o lixo do banheiro.
3. Comece agora montar a composteira, intercalando uma camada de folhas ou capim com uma camada de detritos de cozinha, armazenados na composteira. Coloque um pouco de cal em cima dos restos de comida para evitar a proliferação de ratos.
4. Crie camadas superpostas, até que o monte atinja uma altura máxima de um metro. Se houver disponibilidade de esterco de animais, forme camadas adicionais com ele, o que irá melhorar muito a qualidade do produto final.
5. Aproveite também as sobras de leite e o sangue retirado da limpeza das carnes, diluindo-o com mais água e regando a composteira. O objetivo é favorecer a atividade microbiana, acelerando o processo.
6. Deixe o composto descansar, revirando-o uma vez por mês até completar noventa dias, cuidando de repor a umidade sempre que necessário.
7. Esse composto pode ser utilizado na dose de 2,0 kg por metro quadrado, apesar de que o ideal é seguir recomendação com base na análise de solo.
Obs. não use em excesso nenhum dos materiais indicados, e quanto mais diversificado, melhor a qualidade.
Marcos Roberto Furlan
http://quintaisimortais.blogspot.com.br/
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Edifício na Holanda ganha reforma eco-friendly
25/03/12
O Stadskantoor Rotterdam é um edifício municipal da cidade de Rotterdam, na Holanda, que está passando por reformas eco-friendly, logo perceptível ao olhar para a sua fachada arborizada. O prédio ganhou o concurso “Jardim vertical de 2012 Architecten”, também conhecido como “Eu prefiro fazer uma floresta a uma rua” que desenvolve projetos, construções e estratégias que facilitam a transição para uma sociedade sustentável.

A equipe de design holandês colocou na fachada centenas de potes de plásticos reciclados, previamente usados em projetos de horticultura locais, que juntos formaram um desenho de uma árvore. Estes foram então preenchidos com uma variedade de plantas sazonais que disseminaram entre os tijolos quebrados para baixo e que são muito mais agradáveis para olhar do que os materiais de construção necessários para preencher o espaço.
Além disso, os projetistas instalaram um sistema de captura de água da chuva com uma série de tanques de retenção no sótão do edifício, que fornecem um sistema de irrigação por gotejamento de água para as plantas.
Mais do que embelezar a fachada a importância das plantas está em absorver as emissões de dióxido de carbono, que segundo o portal Inhabitat, é capaz de desviar da atmosfera uma média de 13.000 kg de CO2 a cada ano. Numa época em que funcionalidade muitas vezes supera a estética, este gesto por parte do município de Rotterdam é muito especial.
http://raisisdoser.blogspot.com.br
Fonte: Portal EcoD
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Techamos Una Mano – TUM
11/03/12
Techamos Una Mano (TUM), nasceu no ano de 2008 como uma preocupação de um grupo de pessoas de Oaxaca jovens preocupados com a deterioração do ambiente. Na busca de opções para o tratamento adequado dos resíduos sólidos (RS) gerados em suas casas, criou uma técnica inovadora que utiliza resíduos como embalagem da tetra pak (caixas de leite) e garrafas PET para desenvolver uma parede pré-fabricada ecológica. Desta forma o projeto atender a dois objetivos importantes: um ambiental e outra social.
No ambiente, reutilizar o RS o volume daqueles que vêm para o aterro sanitário municipal é reduzido e em comunidades que não têm um aterro é evitado que eles sejam queimados, ou jaogados em montanhas, rios ou ravinas.
Socialmente, melhora das condições de vida em que vivem muitas famílias, que vivem em casas de folha em comunidades marginalizadas, como eles são substituídos por habitação construída a partir das paredes verdes. A habitação é feita pelos voluntários jovens mesmos TUM, juntamente com membros da Comunidade que favorece a construção de uma cidadania solidária e participativa.
Em 2011, o grupo está legalmente como interação Social sustentável BC, dentro desta organização é o um Techamos de programa de mão, além de outros projetos.
O projeto recebeu importantes prêmios em nível nacional e internacional.
O que fazem?
Através da participação voluntária em programas de Techamos Una Mano (construção sustentável, gestão de resíduos e reflorestamento) procura para crianças, jovens e adultos a viver experiências de primeira mão de trabalho para benefício da Comunidade. Assim, incentiva uma atitude pró-ativa entre os indivíduos, favorecendo sua participação contínua neste ou em outros projetos similares.
Como fazem isso?
Se a separação de resíduos sólidos em suas casas ou transmitir cultura ambiental para os outros, construindo casas ou salas de aula da parede pré-fabricada ecológica TUM, plantar uma árvore ou até mesmo ingressando em qualquer outra causa. O objetivo é modificar a atitude apática que geralmente são indivíduos e mostrá-los através de uma experiência de primeira pessoa como fácil e gratificante é o trabalho comunitário. O primeiro passo é informar e educar os cidadãos sobre as questões que você deseja assistir para mais tarde mostrar-lhes como através da sua participação podem contribuir para a solução para estes problemas. Uma vez envolvida acorda no espírito de continuar, participar mais activamente e convidar outras pessoas para participar.
Os novos lares possuem dois quartos e 40 metros quadrados. A ONG já realizou a entrega da casa número 17 do projeto “Interação Social Sustentável AC” que irá financiar a construção de 25 casas este ano.
http://www.tum.org.mx/quienessomos.html
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Jardim vertical customizado
11/03/12
O princípio da ideia é bem simples. Uma parede de alumínio 100% reciclado dobrável para encaixar copinhos de plástico que serve de jardineira vertical. O projeto foi realizado pelo designer turco Hakan Gürsu e batizado de Naturwall.
Mas o principal objetivo da parede não é movimentar o mercado de design e produtos feitos de materiais recicláveis. Gürsu criou um modelo de jardineira que pode ser customizado em qualquer ambiente, de forma sustentável, sem que seja preciso grande conhecimento.
A parede pode ser feita de papelão, madeira de demolição, acrílico ou alumínio reciclado, e principalmente copinhos descartáveis usados. Como na foto, os “vasinhos” são preenchidos com terra e as novas mudas dão nova vida ao ambiente.
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EVOLUÇÃO DA TERRA
04/03/12
Este incrível vídeo é idéia de Tyler Rhodes, estudante de animação da Universidade de Virginia, em colaboração com alguns alunos do ensino fundamental de escolas americanas.
O vídeo, através das ilustrações feitas com giz de cera e lápis de cor, simula a evolução de várias gerações de vida.
As crianças foram orientadas a desenhar uma simples salamandra, e em seguida, desenhar como elas imaginariam que seria a mesma salamandra com mudanças ocorridas pela evolução.
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HORTA CASEIRA
27/02/12
“A casa do futuro tem horta”. Este é o título de uma matéria que eu li no Estadão hoje. O texto divulgava uma pesquisa realizada no Reino Unido sobre estilo de vida. Os resultados revelaram uma preocupação geral com consumo consciente e saúde. Isso se manifestou, por exemplo, pelo desejo de que a cozinha do futuro fosse projetada para abrigar uma pequena horta ou jardim. Dessa forma, as pessoas poderiam usufruir de alimentos e temperos produzidos dentro de casa mesmo.
Colo abaixo o texto mencionado, que é curto e interessante. E deixo a pergunta: o que você gostaria que fosse incluso ou suprimido na sua casa no futuro?
A cozinha do futuro tem horta
Donas de casa do Reino Unido e da Irlanda querem espaço para cultivar comida saudável nas cozinhas
16 de agosto de 2010 | 15h 51
The Guardian
Uma nova pesquisa feita pela empresa Ikea sobre o que os consumidores esperam de sua ‘cozinha dos sonhos’ daqui a 30 anos indicam um desejo forte de “retorno à natureza”. Segundo a pesquisa, a cozinha continuará sendo o eixo central no qual se reúne a família. Mas as donas de casa no Reino Unido e na Irlanda dizem também que querem uma cozinha eficiente energeticamente, e com um espaço verde – que pode se fundir ao jardim da casa – permitindo o cultivo de espécies comestíveis dentro e fora da residência. Os consumidores também dizem que querem material reciclado e reutililzado como padrão em seus produtos de cozinha.
Um relatório baseado na pesquisa explora os fatores que irão potencializar a transformação das cozinhas. “A cozinha vai simbolizar o movimento em busca de um estilo de vida sustentável e será uma medida de como as passoas se adaptam às mudanças na sociedade”, diz o documento.
O levantamento, realizado em junho, usou uma amostragem de 1.895 pessoas no Reino Unido e mais 751 na República da Irlanda. Ele prevê uma movimento gradual e sustentável rumo ao consumo consciente.
Os consumidores disseram que querem uma cozinha que estimule a produção caseira de orgânicos, de comida natural, e que promova o movimento “cultive você mesmo” em residências e comunidades.
Jardins e pequenos terrenos irão se tornar uma extensão da cozinha, e isso deve ser um padrão nos próximos anos, diz o relatório. Conceitos como o da Hyundai Kitchen Nano Garden – uma geladeira desenhada para cultivar comida, ao invés de servir apenas para guardá-la – serão comuns. Com o uso de produtos hidropômicos e suprimentos controlados de água e nutrientes, cultivar sua própria comida será mais usual nas casas na medida em que a pressão por espaço significar que poucas pessoas poderão se dar o luxo de ter um quintal.
Jardins suspensos também não se restringirão mais aos telhados verdes, mas crescerão verticalmente ao longo das paredes.
A alimentação saudável será um item importante para os consumidores, dizem os autores do relatório. “A escassez está na agenda do consumidor e isso transparece nos sonhos com a cozinha do futuro. Escassez de água e de terras, mudanças climáticas e urbanização farão com que os estilos de vida pautados pelo excesso deixem de existir, sendo substituídos por uma visão coletiva sobre a vida e seus meios”, finaliza o documento.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,a-cozinha-do-futuro-tem-ho…
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ESTUFA URBANA
25/02/12
Uma empresa sueca, a Plantagon – produtora de estufas urbanas verticais, para novos edifícios – lembra que, em 2050, nove bilhões de pessoas habitarão a Terra, sete bilhões destas, viverão em cidades, e cada uma delas passará fome numa grande parte do tempo. Para a empresa, a solução está sob a forma de um arranha-céus com plantação de fruta e verduras.
As plantas serão cultivadas em vasos hidroponicos e bandejas que se movem continuamente através da estufa, de cima para baixo, num sistema de hélice (vídeo abaixo). Um sistema totalmente automático efetuará a colheita e cuidará de todo o processo.
Além de possibilitar o crescimento de frutas e verduras, esta estufa da Plantagon, é também eco-friendly. Converte os restos das plantas em biogás, para executar os sistemas de climatização do edifício – aquecimento e arrefecimento, contribuindo assim, para para uma eficiência energética de todo o conjunto.
A Plantagon inovou com esta estufa em Linkoping – Suécia. Deverá estar concluída em pouco mais de um ano. A empresa espera ainda que o edifício ajude os cientistas a descobrirem a melhor forma de utilizar técnicas de agricultura urbana para nos alimentarmos no futuro.
Fonte: www.sinduscon-ba.com.br
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HORTAS URBANAS – Um exemplo a ser seguido
16/02/12
Das práticas de cultivo ao equilíbrio ambiental e à aproximação da Natureza
Importância das hortas urbanas:
A necessidade do homem trabalhar a terra para daí extrair alimentos é uma questão de sobrevivência, mas a atração que o homem urbano sente pela atividade agrícola, não se explica só pela vontade de aceder a outros sabores, que não apenas os oferecidos pelas prateleiras dos supermercados.
Génese e desenvolvimento:
O fenômeno das hortas urbanas surgiu nos países do norte da Europa, durante a segunda metade do século XIX, como reação à diminuição dos espaços verdes na sequência da crescente industrialização e urbanização dos núcleos populacionais. Na Alemanha existem hortas urbanas desde 1864, ano em que se criou a primeira associação (Schreberverein), em Leipzig, prática que conheceu um novo incremento no rescaldo das duas grandes guerras do século XX, assumindo-se, então como um verdadeiro movimento social. Na Dinamarca, o país europeu com a maior percentagem de hortas urbanas, esta tradição remonta ao século XVIII.
Atualmente é uma prática corrente a nível internacional, caso de Los Angeles, Chicago, Londres e Sampetersburgo. Na Holanda, 33% da produção “verde” sai das grandes cidades.
Entre nós, a tradição de coexistência de espaços agrícolas no interior das cidades nunca foi completamente abandonada e Lisboa, Coimbra e Porto, entre outras cidades, têm atualmente projetos de sucesso de hortas urbanas, com especial ênfase na agricultura biológica. O Arquiteto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles tem sido um acérrimo defensor da prática da agricultura urbana como parte integrante do novo conceito de cidade, onde a agricultura de pequena dimensão joga um papel fundamental na redução da dependência alimentar do exterior.
Objetivos do projeto:
- Promover a agricultura urbana e contribuir para a segurança alimentar e a melhoria e diversificação das dietas;
- Facilitar o acesso dos agregados familiares à produção pecuária doméstica;
- Demonstrar que os espaços verdes também podem ter uma função de produção, para além da proteção e do recreio;
- Servir de modelo para a ocupação espontânea de terrenos abandonados ou sem uso definido, responsabilizando os munícipes pela gestão ativa dos espaços públicos;
- Recriar a ligação entre o campo e a cidade e incentivar o contacto com a Natureza;
- Fomentar a compostagem de materiais orgânicos, contribuindo para a redução desta fração nos resíduos sólidos urbanos (RSU);
- Melhorar a circulação da água e harmonizar a paisagem e o ambiente urbano em geral, favorecendo o conforto das populações e a biodiversidade potencial do meio.
Em Évora há mais de 20 terrenos abandonados para cultivar. A Câmara de Évora colocou à disposição dos seus munícipes mais de 20 terrenos abandonados da periferia, que serão divididos em lotes entre 25 e 50 metros e transformados em hortas urbanas.
Tal com dezenas de outras autarquias portuguesas, a câmara presidida por José Ernesto Oliveira quer conjugar sustentabilidade ambiental e a ajuda às famílias mais carentes.
Os lotes serão disponibilizadas à população, de forma gratuita, para a produção hortícola e floricultura, mas de acordo com regras já aprovadas. “É um projecto envolvente, no qual queremos a participação do maior número possível de pessoas. Já há interessados em dinamizar [as hortas urbanas, sobretudo associações de reformados e clubes desportivos de bairro]”, explicou José Ernesto Oliveira.
A maior parte dos terrenos já têm fonte de abastecimento de água, mas a Câmara de Évora irá disponibilizar este recurso, através de um reboque cisterna, aos que não tenham água própria. Paralelamente, em todos os espaços haverá um ponto de luz, de utilização colectiva.
O projeto faz parte da Agenda XXI, que fomenta práticas de consumo mais equilibradas, amplia a biodiversidade e promove o desenvolvimento sustentável e convivência comunitária, explica a Lusa.
http://www1.cm-funchal.pt
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O QUE É PERMACULTURA?
16/02/12
“Permanent Agriculture” em inglês – nasceu na cabeça de Bill Mollison, ex-professor universitário australiano, na década de 1970. Refugiado das loucuras da sociedade de consumo, Mollison percebeu que nem os cantos remotos do interior australiano onde morava seria poupado do colapso planetário iminente – a flora e a fauna estavam diminuindo sensivelmente…
“Resolvi”, falou Mollison na sua passagem pelo Brasil em junho de 1992, “que, se voltasse para o mundo, voltaria com uma coisa muito positiva”.
Foi assim que nasceu a idéia de criar sistemas de florestas produtivas para substituir as monoculturas de trigo e soja, responsáveis pelo desmatamento mundial. Observando e imitando as formas de florestas naturais do lugar, revelou-se possível a criação de sistemas altamente produtivos, estáveis e recuperadores dos ecossistemas locais.
Depois de dez anos implantando, com grande sucesso, tais sistemas em todos os continentes, Mollison e seus colaboradores perceberam que não adianta concentrar-se em sistemas naturais sem considerar os outros sistemas tão vitais para a sobrevivência humana: sistemas monetários, urbanos (arquitetura, reciclagem de lixo e águas), sociais e de crenças. A “Permanent Culture”.
Hoje a permacultura conta com mais de 10.000 praticantes em todos os continentes e mais de 220 professores trabalhando em tempo integral. A permacultura chegou no Brasil através do primeiro curso dado por Bill Mollison, em Porto Alegre. Hoje existe uma equipe de profissionais – agrônomos, engenheiros, arquitetos, etc. – que estão se aprofundando nestas idéias e que já fundaram o primeiro sistema LETS de troca de serviços da América Latina.
Baseada na prática de “Cuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes” (quer sejam dinheiro, tempo ou informações), a permacultura ousa acreditar na possibilidade da abundância para toda a humanidade através do uso intensivo de todos os espaços, através do aproveitamento e geração de energia, da reciclagem de todos os produtos (acabando assim com a poluição) e através da cooperação entre os homens para resolver os grandes e perigosos problemas que hoje assolam o planeta.
Princípios da Permacultura
Princípios Éticos:
Cuidados com o planeta
Cuidados com as pessoas
Compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos)
Limites ao consumo
Quanto mais se aproxima da natureza, menos se trabalha.
Quando criamos sistemas auto-sustentados, não precisamos trabalhar para alimentar e proteger os elementos do sistema. Uma floresta produtiva, uma vez estabelecida, exige muito pouco cuidado para se manter, Comparados com as monoculturas, sistemas altamente artificiais que nunca ocorrerão na natureza, sistemas permaculturais que se aproximam da natureza não precisam de adubo, irrigação nem defensivos. Produzem séculos a fio e melhoram cada vez mais o solo, recuperando também o regime das águas da região.
Podemos incorporar animais nestes sistemas se criarmos condições de vida parecidas com aquelas do habitat natural do animal. Tomando o exemplo da galinha, percebemos que é a natureza da galinha de pastar e de ciscar, de comer uma grande variedade de verduras, grãos (pode ser sementes de capins) e insetos. Elas vivem em bandos e sempre dormem no mesmo lugar, no alto. São relativamente resistentes ao frio, mas temem o calor, exigindo sombra. Sofrem predações de gaviões e raposas, precisando de uma boa proteção.
Analisando estas necessidades do animal, podemos muito bem criar uma floresta forrageira para galinhas, incorporando árvores frutíferas (amora, goiaba, acerola, etc.), com verduras rasteiras e grãos (milhetos, capins, etc.), criando um pasto equilibrado onde a galinha se alimenta e se protege. O único trabalho que sobra para o homem nestas condições é de coletar os ovos e vigiar o estado do pasto e dos animais. Uma vez estabelecido, este sistema dura muitos anos com o mínimo de investimento, dando lucro maior do que as granjas industrializadas que exigem altos investimentos em insumos e medicamentos. E, obviamente, a qualidade dos produtos será muito maior.
Substituir altos investimentos e trabalho por planejamento e criatividade.
ou
“Se o sistema está lhe dando muito trabalho, você ainda não pensou o suficiente”
Scott Pittman
O homem está longe de aproveitar plenamente os seus dons criativos. No planejamento de uma propriedade, reflexão e observação podem mostrar soluções engenhosas para os problemas, evitando gastos e trabalho. Podemos aproveitar ao máximo a força da gravidade, por exemplo, para a distribuição da água, colocando áreas de captação no alto da propriedade em vez de colocá-las, como muitos fazem nas baixas, e depois depender de bombas, Ou podemos observar que os animais de modo geral depositam mais esterco de noite do que de dia. O gado pode pastar nas áreas ricas das baixadas durante o dia e dormir em estábulos no alto da propriedade, retransportando assim os nutriente para o alto da propriedade, de onde, com a ajuda da força da gravidade, a distribuição se torna mais fácil.
Precisamos ter a coragem de criar soluções totalmente diferentes dos vizinhos. E precisamos perceber que nenhum sistema é perfeito: sempre tem espaço para mais um elemento, para mais uma função, muitas vezes simplesmente conectando dois elementos já existentes. O limite do sistema é a nossa criatividade.
O problema é a solução
Problemas apontam situações especiais que podem ter uma função única. Se uma área é árida, por exemplo, pode-se especializar em plantas da família dos cactos, como o Figo da Índia ou a cochonilha, um inseto que produz uma tinta valiosa e que se desenvolve no cactos Opuntia. Se uma encosta é pedregosa, ela pode oferecer condições especiais para certas plantas que não de adaptariam em outra áreas mais férteis da propriedade. Se as lavouras sofrem ataques de caracóis, sinal que esta região se presta para a criação destes. Todo problema aponta para uma oportunidade. É questão de enfoque.
A diversificação garante a estabilidade
A estabilidade de uma propriedade ou de uma comunidade depende da disponibilidade de uma gama de produtos espalhados ao longo do ano. Isto protege contra desastres climáticos, porque no caso de qualquer emergência (seca, tempestade), alguns dos produtos vão escapar, devido a uma resistência maior, ou devido ao fato de crescer em épocas diferentes. Deve-se sempre cogitar culturas de emergência, garantidas de dar alguma produção mesmo sob condições adversas. Os povos antigos fazem policulturas por este motivo. Policulturas que incorporam árvores no sistema são as mais estáveis do todas. Uma floresta produtiva dificilmente se abate com a seca ou com o granizo.
A estabilidade vem quando se fecham os ciclos
Quando uma parte do sistema sustenta outra, evita-se a necessidade de procurar insumos fora da propriedade, fortalecendo assim todo o sistema. Da mesma maneira, uma comunidade inteira ganha estabilidade quando os produtos circulam localmente, evitando assim perdas por desperdício ou sangria para uma metrópole central. Considerando, por exemplo, que um terão dos produtos agrícolas no Brasil se perdem antes de chegar à mesa do consumidor, podemos ver a importância do consumo local, que assegura que o que se produz não se perde no processo de transporte e distribuição.
Da mesma maneira, se numa comunidade o mesmo dinheiro troca de mãos muitas vezes, isto tem o mesmo efeito de ter uma quantidade muito maior de dinheiro disponível. Se este dinheiro vai embora para o centro urbano, a comunidade local se empobrece.
Um dos maiores perigos para a estabilidade de uma propriedade rural ou de uma comunidade¸ a poluição. A vida não se mantém onde não há água limpa, por exemplo. Visto que a poluição provém de produtos ainda não utilizados, podemos vê-la como uma fonte de renda em potencial quando se trata de esgotos, ou mesmo de sub-produtos industriais. Os agrotóxicos obviamente nunca oferecem um potencial para reciclagem (e deveriam ser banidos da face do planeta).
Precisamos responsabilizar-nos pelos nossos netos
Tivemos o privilégio de poder ainda desfrutar de florestas, de beber água limpa , de contemplar paisagens belas. Os nossos netos também têm este direito, e cabe a nós a responsabilidade de assegurar que estes direitos sejam respeitados. Isto pode sugerir muitas frentes de ação: conservação de áreas naturais ainda pouco modificadas pelo homem; desenvolvimento de uma forma de agricultura não devastadora; proteção das águas, especialmente do lençol freático. (Um rio pode-se limpar em poucos anos. Um lençol freático, uma vez poluído, dificilmente se limpa de novo). Em termos práticos, uma floresta desmatada leva entre doze a vinte anos para se recompor, e leva entre sessenta e duzentos anos para chegar a um estágio parecido ao original. Se colhermos somente as árvores no final do seus ciclos e plantarmos culturas adaptadas a estas condições de mata, podemos manter a cobertura vegetal e mesmo assim ter uma boa renda. Cada tipo de árvore tem as suas utilidades. Hoje, nos desmatamentos, a grande massa de madeira (com exceção das árvores mais conhecidas como o mogno) é desperdiçada.
Um agricultor pode muito bem plantar uma parte de sua propriedade com madeiras nobres, criando assim um patrimônio inabalável. Não importa se estas madeiras começarem a dar uma colheita daqui a vinte ou trinta anos: o agricultor, nesta época, já vai estar velho e as árvores podem garantir sua velhice, uma forma de aposentadoria particular. E como se pode colher as madeiras gradativamente, replantando ao mesmo tempo que colhe, ele cria um patrimônio para muitas gerações futuras.
Os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos no nível doméstico
Não há soluções em grande escala para problemas locais. Não há soluções tecnológicas para problemas que são basicamente sociais. Cada vez que uma família consegue se auto-sustentar, produzindo os seus próprios alimentos e reciclando os seus dejetos, esta deixa de participar da agricultura devastadora e deixa de poluir. Cada propriedade, mesmo bem pequena, pode captar água e produzir alimentos. As possibilidades são infinitas: podemos usar toda parede e até telhados das construções para produzir alimentos. Podemos captar água numa variedade de maneiras e reciclar toda água que utilizamos, fazendo-a render muito mais. Tomando como exemplo a perigosa falta de água potável: poucas pessoas se dão conta de que a descarga doméstica gasta 40% de toda a água consumida. Isto representa 100 litros de água por pessoa por dia! Pode-se imaginar a gravidade desta situação numa cidade de milhares ou milhões de pessoas. Podemos dar descarga com a água servida das pias ou do chuveiro, evitando assim este desperdício desastroso para toda a humanidade. Em áreas mais suburbanas ou rurais, podemos desenvolver privadas secas, das quais existem muitos modelos eficazes hoje. Lembrando que os esgotos são também grandes fatores de poluição de lagos, de rios e do mar, vemos a importância do tratamento doméstico dos efluentes através de filtros ou de sistemas com plantas. Uma aldeia (ou bairro) de 300 pessoas tem a capacidade humana de preencher todas as necessidades das pessoas do lugar. Mesmo numa situação urbana, pode-se aproveitar os espaços baldios para produzir alimentos e pequenos animais. Cada vez que isto ocorre, economiza-se petróleo e espaços naturais que hoje estão sendo desmatados para produzir alimentos em grande escala. Plantações pequenas e intensivas são muito mais produtivas em qualquer lugar do mundo. O pavor de falta de terras agrícolas é um mito: toda terra pode ser agrícola! O que se chama “agrícola” hoje são aquelas onde pode-se entrar com máquinas pesadas, comprovadamente destruidoras da estrutura do solo. De fato, as terras mais “agrícolas”, em termos de produção, são aquelas frente à porta da cozinha! (é claro que o grande problema é o fato da agricultura se industrializar e ser vista como produtora de dinheiro. Isto levanta grandes problemas práticos, já que se destrói para ganhar a curto tempo. Isto vai acabar de fato somente quando houver ou uma pressão pública em massa ou quando tais sistemas não forem mais viáveis economicamente. Há sinais de que os dois processo estão acontecendo. O aumento de custos em petróleo e agrotóxicos faz com que a agricultura intensiva e orgânica hoje se torne muito mais lucrativa. Se os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos a nível doméstico, isto implica que nós podemos resolver os nossos problemas, não precisando de algum engenheiro ou outro especialista, ou o governo, etc. para dar as soluções. O poder da ação volta para as mãos do indivíduo, da família, ou da comunidade local.
Todo sistema deve produzir mais energia do que consome
Quando falamos em “energia”, podemos pensar em calorias. Vários levantamentos tem mostrado que a agricultura industrializada é, em muitos casos, deficitária energeticamente: para cada caloria de alimento produzida, gastam-se duas a oito (ou mais!) calorias na forma de petróleo (transporte, insumos, máquinas agrícolas, etc.). Qualquer sistema deficitário, que seja em termos monetários ou energéticos, é fadado a falir, cedo ou tarde. Os sistemas permaculturais se tornam produtores energéticos de várias maneiras:
a) Produção intensiva em relação ao trabalho. Sistemas permanentes exigem poucas ou nenhuma máquina e pouco ou nenhum insumo, consumindo menos calorias do que produzem;
b) Produção para consumo local. Evitam-se assim gastos em transporte;
c) Utilização das energias do lugar (gravidade, transporte animal, sol, vento, etc.);
d) Reciclagem dos dejetos. Os fertilizantes industrializados são produzidos a partir do petróleo e exigem muitos gastos em transporte. Quando os insumos são produzidos localmente, evitam-se todos estes gastos;
e) Utilizando energias alternativas captadas no lugar: cozinhado com fogões solares e a lenha, biogás, painéis solares, etc.
Visa-se cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação
O espírito de cooperação é a grande chave para a recuperação da qualidade de vida no planeta. Vista em termos sociais, a cooperação nos leva a ver todo estranho como amigo em potencial, enquanto a competição nos ensina a ver todo estranho com adversário em potencial. Esta mudança de atitude traz mudanças de comportamento fundamentais. Na cooperação, a energia é gasta de uma maneira mais construtiva, somando a energia de uns com os outros, em vez de se anularem mutuamente, como é o caso da competição. Na agricultura, esta mudança de atitude também transforma o comportamento. Se uma praga ataca a lavoura, um agricultor que se baseia em cooperação com a natureza procurará compreender o porque deste ataque. A planta está enfraquecida? O inseto está com fome por falta de um posto natural? Chega-se até a plantar alimentos para o inseto considerado ‘praga’, reconhecendo que este, como todo ser natural, merece viver. Este convívio pacífico com a natureza faz com que o agricultor não precise mais declarar guerra química na sua propriedade, produzindo assim alimentos de qualidade e limpos, sem comprometer a qualidade da água nem do solo. A cooperação nos leva a ver tudo como sendo interligado. Não é: “eu contra você”, mas “eu junto com você”. Não é: eu contra a praga, mas eu trabalhando em conjunto com a natureza, dentro de um contexto. Desaparece o sentido da fragmentação, de ver um mundo como formado de peças separadas, passando a ver o mundo como um todo integrado, onde mudanças em um elemento dentro do sistema (agrícola ou social), modifica a situação de muitos outros elementos que estão interligados com este. Isto é o que transforma o sistema todo.
A permacultura não é apenas uma técnica ou muito menos um pacote. É muito mais complexo que uma simples agricultura sem agrotóxicos, mais complexo que uma agricultura ecológica, ou sustentável, ou biodinâmica. É uma forma de viver que pode ou não envolver essas e outras técnicas. Ao mesmo tempo é muito mais simples por ser a conduta natural das coisas. Necessita apenas de uma observação sem máscaras, da natureza, sem pressa e com atenção. Sem preconceitos.
Grupo de Permacultura Centro de Ciências Agrárias da UFSC
http://www.cca.ufsc.br/permacultura/








































