Alguns autores, consideram a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, como o começo das discussões internacionais sobre o meio ambiente. Outra influência nas discussões ocorreu, em 1968, em Paris, com a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para Uso e Conservação Racionais dos Recursos da Biosfera, conhecida como Conferência da Biosfera, que foi organizada pela UNESCO. Esta conferência também muito importante foi direcionada somente para os aspectos científicos da conservação da biosfera e pesquisas em Ecologia.
Um dos documentos mais importantes, em termos de repercussão entre os cientistas e os governantes foi o Relatório Meadows, conhecido como Relatório do Clube de Roma.

Clube de Roma
O Clube de Roma nasceu em abril de 1968, quando um pequeno grupo de líderes da academia, indústria, diplomacia e sociedade civil se reuniu num pequeno vilarejo em Roma, Itália. Sua preocupação era identificar os maiores problemas perante o globo, e o grupo desenvolveu um conceito chamado World Problematique.
O Clube de Roma conseguiu a contratação de uma notável equipe multi-disciplinar do Instituto de Tecnologia de Massachusetts – conhecido por sua sigla, MIT – para fazer um estudo sobre o crescimento econômico dentro dos padrões de consumo que caracterizavam as nações mais industrializadas. O Clube de Roma e o MIT anteciparam-se largamente à tal da globalização. A Fundação Volkswagen pagou o trabalho da equipe do MIT, liderada por Dennis Meadows e envolvendo outros 16 cientistas de diversas nacionalidades.
O resultado desses estudos foi publicado em 1972 com o título de “Limites para o Crescimento”.
“Limites para o Crescimento” foi fruto de uma sofisticada avaliação computacional das possibilidades e consequências do crescimento populacional e da evolução da demanda e da oferta de matérias-primas e energia. Os autores postularam a necessidade de mudanças profundas nos padrões de desenvolvimento para evitar que fosse ultrapassada a capacidade de sustentação do planeta Terra, algo que, então, parecia distante. No estudo, fazendo uma projeção para cem anos apontou-se que, para atingir a estabilidade econômica e respeitar a finitude dos recursos naturais é necessário congelar o crescimento da população global e do capital industrial.
Detectaram que os maiores problemas eram: industrialização acelerada, rápido crescimento demográfico, escassez de alimentos, esgotamento de recursos não renováveis, deterioração do meio ambiente. Tinham uma visão ecocentrica e definiam que o grande problema estava na pressão da população sobre o meio ambiente.
O relatório teve repercussão internacional, principalmente, no direcionamento do debate caloroso que ocorreu, no mesmo ano de 1972, na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, conhecida como Conferência de Estocolmo, que, oportunamente, irei contar.
De maneira sucinta, apontaram alguns fatores que poderão conduzir a uma crise mundial jamais vista:
1. Se as atuais tendências de crescimento da população mundial industrialização, poluição, produção de alimentos e diminuição de recursos naturais continuarem imutáveis, os limites de crescimento neste planeta serão alcançados algum dia dentro dos próximos cem anos. O resultado mais provável será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população quanto da capacidade industrial.
2. É possível modificar estas tendências de crescimento e formar uma condição de estabilidade ecológica e econômica que se possa manter até um futuro remoto. O estado de equilíbrio global poderá ser planejado de tal modo que as necessidades materiais básicas de cada pessoa na Terra sejam satisfeitas, e que cada pessoa tenha igual oportunidade de realizar seu potencial humano individual.
3. Se a população do mundo decidir empenhar-se em obter este segundo resultado, em vez de lutar pelo primeiro, quanto mais cedo ela começar a trabalhar para alcançá-lo, maiores serão suas possibilidades de êxito.
A partir daí vários outros relatórios foram elaborados todos com o mesmo fundamento: preservar o meio ambiente. Para isso havia a necessidade de se alterar o padrão desenvolvimentista.
• Relatório do Clube de Roma: Limites do Crescimento (1968);
• Declaração de Estocolmo (1972);
• Relatório de Bruntland: Nosso Futuro Comum (1987);
• Declaração do Rio (1992);
Agenda 21 (1992).

Visite também – http://www.clubofrome.org/

Na próxima matéria abordaremos um pouco a Declaração de Estocolmo.
Sugerimos aos nossos amigos que leiam todos os documentos, para que o conceito de sustentabilidade seja muito mais que jeito “fashion” de enxergar a nossa época.

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