Testes realizados com o fosfogesso, um subproduto da indústria de fertilizantes, comprovam que o produto pode ser utilizado na construção civil, até mesmo em substituição ao cimento convencional.
Na USP de São Carlos foi desenvolvido um método que utiliza esse material para produzir elementos cerâmicos – blocos para construção civil – com uma resistência que atinge até 90 megapascal (MPa) – unidade de resistência à compressão.
“Concretos de alto desempenho têm em média uma resistência de 50 MPa”, explica Wellington Massayuki Kanno, aluno de doutorado do programa de Pós-graduação Interunidades em Ciências e Engenharia de Materiais da USP de São Carlos.
Processamento do fosfogesso
O professor Milton Ferreira de Souza, orientador de Kanoo, desenvolveu o método UCOS (Umedecimento, Compactação e Secagem) que é o processamento do fosfogesso para obtenção de elementos cerâmicos de alta resistência.
“O método também pode ser aplicado em gesso comum”, garante. Segundo ele, com a tecnologia será possível, em dois anos, desenvolver uma planta piloto (pequena fábrica) capaz de oferecer ao mercado da construção civil produtos como placas e blocos estruturais de fosfogesso pré-acabados para construção.
“Em habitações populares os produtos serão de grande utilidade, permitindo maior rapidez e menos trabalho de acabamento”, afirma, ressaltando que, “a tecnologia já está consolidada e que parcerias e investimentos poderão facilitar a entrada do produto no mercado.”
O que é fosfogesso
Fosfogesso é a denominação que se dá ao gesso de origem química. O gesso normalmente utilizado na construção, principalmente em acabamentos e decorações, é proveniente do mineral gipsita. “Já o fosfogesso é gerado no processo de fabricação de fertilizantes, em que a rocha fosfática é atacada por ácido sulfúrico resultando em fosfogesso e em ácido fosfórico, que é a base dos fertilizantes fosfatados”, descreve Kanno.
Segundo o pesquisador, esse subproduto é descartado em aterros específicos. Apesar de ser um material inerte e não representar grandes riscos ao meio ambiente é necessário dispor de grandes áreas para descartar esse material. Esse descarte somente ocorre após o preparo do terreno de acordo com as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que inclui projeto de impermeabilização e projeto estrutural das montanhas de fosfogesso.
Atualmente no Brasil, há um estoque de fosfogesso de cerca de 150 milhões de toneladas. “A produção anual é de cerca de 5 milhões de toneladas por ano. E a tendência é de aumento, já que a indústria de fertilizantes tende a crescer”, estima Kanno.
Ele cita que as principais indústrias de fertilizantes estão localizadas no estado de São Paulo, em Cajati e Cubatão, e em Minas Gerais, na cidade de Uberaba. Há outras pequenas indústrias, mas se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A produção do gesso está concentrada no Nordeste. “Lá, na região do Araripe, existe uma das maiores e melhores jazidas de gipsita do mundo”, conta o pesquisador. Segundo ele, cerca de 50% do custo do gesso comum é devido ao transporte para as regiões Sul e Sudeste, o que significa mais um motivo para se investir na produção do fosfogesso com o método UCOS.
Método UCOS
Para a utilização do fosfogesso pelo método UCOS, o produto deve passar por um pré-tratamento (desidratação) onde é aquecido para chegar à condição hemihidratada. No método UCOS, o pó de fosfogesso hemihidratado é umedecido e colocado em um molde no qual recebe uma compressão.
“Para uma quantidade de 100 gramas (g) por exemplo, adiciona-se 20 g de água”, explica Kanno. Os moldes podem ter formatos diversos (placas, blocos com desenhos diversos).
Segundo Kanno, a compressão faz com que as partículas de fosfogesso se aglomerem e formem um corpo rígido e resistente. “O tempo em que o fosfogesso fica sob pressão é curto (alguns segundos) e, em seguida o material pode ser retirado dos moldes para secagem e uso, o que leva em torno de 30 minutos.”
Responsabilidade Social e Ambiental
O gesso e o fosfogesso são materiais cuja produção possui um impacto ambiental menor que o do cimento (para cada tonelada de cimento produzido é jogado 3 toneladas de CO2 na atmosfera) e são de fácil reciclagem, promovendo assim o desenvolvimento sustentável da construção civil.
Além disso, o método UCOS oferece uma solução para o descarte do fosfogesso no meio ambiente: uso como matéria prima para a construção civil. “Com esse método podemos propor habitações de interesse social (HIS), cujo custo é baixo e visa amenizar o déficit de habitações no Brasil”. No Brasil esse déficit é de cerca de 7 milhões de habitações para a população, além os 12 milhões de habitações em situação precária.

http://www.inovacaotecnologica.com.br/

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