A publicação “Estado do Mundo 2015” foi lançada em Washington, nos Estados Unidos em Abril de 2015. Trata-se de uma coletânea de artigos que todos os anos é lançada pela Worldwatch Institute (WWI), uma organização sem fins lucrativos especializada em fazer pesquisas sobre energia e recursos ambientais.

Na lista das “ameaças ocultas” certamente está o crescimento econômico no velho estilo “business as usual” que Michael Renner, pesquisador sênior do WWI, traduz em números, resultado de extensa pesquisa feita por ele:
“Os humanos usaram dez vezes mais energia durante o século XX do que eles tinham usado nos últimos mil anos. A extração de carvão saltou de dez milhões de toneladas em 1800 para 762 milhões de toneladas em 1900. Alcançou 4,7 milhões somente em 2000 e pulou para quase 7,9 milhões em 2013. A produção de petróleo começou somente no século XIX, mas cresceu rapidamente de 20 milhões de toneladas em 1900 para 3,2 milhões em 2000 e 4,1 milhões em 2013 – um aumento de 207 vezes desde 1900.
Em 1940, o mundo usou cerca de 4 milhões de toneladas de fertilizantes. Este número chegou a 137 milhões no ano 2000 e deu um salto até 2013, quando foram utilizados cerca de 179 milhões de toneladas de fertilizantes. Em 1900 a frota automobilística mundial era de cerca de 25 mil carros e esse número já passava de um milhão em 1910 mas, em 1960, havia cem milhões de carros circulando pelas estradas, número que chegou a 1 bilhão em 2013”, relata Renner.
Está certo que os fertilizantes ajudaram a alimentar mais gente, que o carvão aqueceu muitas casas e que os automóveis foram uma ajuda e tanto para a mobilidade do homem. Mas todos esses dispositivos que a humanidade foi criando para se manter no planeta obedecendo a uma ordem de mais e mais conforto é que agora estão apresentando a conta, segundo Renner. São as ameaças ocultas do nosso modus vivendi. O pesquisador toma como certo, indiscutível, o estudo dos cientistas do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), que imputa à humanidade o aquecimento global e consequentes reviravoltas do clima.
Como sempre acontece com artigos sobre sustentabilidade que trazem mensagens pouco otimistas, este também apresenta no final uma possibilidade de esperança. Renner lembra que o desafio para a humanidade hoje não é o mesmo que enfrentamos nas décadas de 60 e 70, no desenvolvimento de tecnologias de redução da poluição e diminuição do nível de desperdício dos recursos. Isso foi feito, de uma forma ou de outra. O que se precisa agora, afirma o autor, é “adotar soluções que mudem todo o sistema de produção e consumo de maneira fundamental e ter clarividência para reconhecer as ameaças ocultas à sustentabilidade”.
Estado do Mundo 2015 –  http://www.wwiuma.org.br/ESTADO_DO_MUNDO_2015.pdf

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