segunda-feira, 22 de março de 2010

Pintar, trocar piso, ampliar ambientes. Reformar. Mudar o visual da casa ou do apartamento ou ainda construir uma residência demanda muita pesquisa. O mercado disponibiliza
tanto profissionais autônomos quanto empresas do setor que façam o serviço. E é nessa hora que fica a dúvida: quem contratar?

Além da segurança e da garantia do trabalho, o orçamento é fator de peso na escolha entre
as duas opções. Segundo Edson Bernardes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Caetano, quando se contrata um pedreiro o cliente obtém orçamento até 60% mais barato quando comparado com uma empreiteira. “Tirando a questão financeira, os cuidados na hora de contratar, seja empresa ou pessoa física, são os mesmos.”

O contrato – constando prazo da obra, formas de pagamento e valor total do serviço – é a
garantia para ambos os lados (contratante e contratado). Sem esse documento, não há como provar o que foi combinado, caso haja necessidade.

“Quando se contrata um pedreiro é preciso levar em conta que a obra demorará mais tempo, a estrutura é bem menor e nem sempre ele é especializado em tudo o que o empreendimento necessita (parte hidráulica e elétrica, pintura etc). Além disso, no caso do
profissional contar com ajudantes, também informais, e não pagá-los, o problema pode
ser levado à Justiça, sendo também de responsabilidade do dono da obra”, ressalta Bernardes.

É ilusão, também, pensar que grandes empreiteiras não darão dor de cabeça. Segundo o
presidente da entidade sindical, as empresas sempre mostram seus melhores trabalhos, mas cada proprietário é um, e, por isso, necessita de um serviço diferenciado. Tanto profissionais autônomos quanto empresas da construção civil devem ser indicados
por terceiros antes de contratados.

“A principal vantagem no caso das empreiteiras é o suporte técnico, a velocidade para
terminar obras, contratos e, é claro, endereço fixo, o que facilita o cliente a encontrar as
pessoas que fizeram o serviço no caso de alguma reclamação, diferentemente de muitos autônomos.”

PROFISSIONAIS

Instalada há 11 anos em Santo André, a empreiteira de Clóvis Geraldo é contratada por três ou quatro clientes por mês. Com uma equipe de oito pessoas, a empresa realiza desde construção a pequenas reformas. “Muitas pessoas optam, hoje em dia, pelos serviços de uma empresa em vez do tradicional pedreiro, devido a segurança, garantia do trabalho e dos prazos combinados, mesmo que isso custe um pouco mais para o cliente”, afirma o proprietário.

Ele explica que a empreiteira tem custo maior devido a sua infraestrutura. São profissionais
especializados em diferentes setores, além de todos serem registrados. “Por isso nossos custos são maiores, e isso é repassado ao cliente, obviamente”, diz Clóvis.

A empresa conta com base de dez clientes fixos, espalhados por São Paulo e pela região. “Nossa vantagem são as indicações. Isso nos traz mais trabalho e alavanca nossa caderneta de clientes.”

Do outro lado está Severiano da Paz, morador de Santo André e pedreiro há 12 anos. O profissional realiza desde a fundação da casa até a pintura. Para ele, a procura por pedreiros nunca acabará. “Não dou conta de pegar todas as obras. A questão do bolso pesa muito e, como sou indicado por muitas pessoas, o cliente fica seguro em contratar meu trabalho e ao mesmo tempo pagar menos.”

Quando o trabalho é muito grande, Severiano leva para o obra dois ajudantes. “Mas o
cliente nem se preocupa com isso, afinal de contas, sempre estabelecemos um contrato –
garantia para meu trabalho e para quem contrata.”

Segundo ele, para colocar piso ele cobra de R$ 15 a R$ 20 o metro quadrado. Uma empreiteira pode chegar a acima de R$ 30.

Severino Otavio de Lima, representante de uma empreiteira de pequeno porte, em São
Caetano, contrapõe, diz que cobra R$ 15 o metro quadrado para colocação de pisos. “Muitas vezes as empreiteiras cobram o mesmo preço pelo trabalho. Há como encontrar preços compatíveis.”

Nesses casos, a ordem é mesmo pesquisar. “O cliente tem de ter em mente que se for estabelecido contrato entre as partes, procuradas indicações da empresa ou do pedreiro e o orçamento couber no bolso, não há o que dar errado”, comenta Edson Bernardes, presidente do sindicato.

Para ele, a tendência do mercado é buscar por empreiteiras, devido ao crescimento da
construção civil. Isso vai fazer com que os profissionais autônomos migrem para as empresas do setor, assim ganharão mais e irão se especializar. “No final das contas, todos os profissionais continuarão atuando na área. Mesmo assim, sempre vamos encontrar um velho e bom pedreiro”.

Clientes expõem vantagens e desvantagens

Pensando no bem-estar e no prazo para terminar a obra, o vidraceiro Marcos Cruz, 33 anos,
optou por contratar uma construtora para erguer a casa. “Se fosse um serviço pequeno iria optar pelo pedreiro, mas como quero que a construção seja feita entre cinco e seis meses acabei optando pela empresa. O pedreiro levaria um mês a mais, praticamente.”

Marcos ressalta que por ser uma obra grande foi preciso ter garantias do serviço, portanto,
dentro dos próximos cinco anos a obra estará assegurada pela empresa, caso dê algum problema. No início, o vidraceiro fez cinco orçamentos, incluindo pedreiros, e conta que a diferença entre os valores cobrados foi de 35%. “O pedreiro ficou na média dessa variação. Mas o que mais contou no meu caso foi a questão do prazo.”

A arquiteta Mônica Mascarenhas Graner, 45 anos, preferiu contratar um pedreiro para reformar a casa de sua mãe. “O objetivo é deixar a residência mais segura, por isso vamos trocar o piso da área externa, revestir a fachada e instalar portão elétrico. São ajustes de natureza simples, que um bom pedreiro pode fazer normalmente.” Mônica diz que o pedreiro foi escolhido por indicação de outra pessoa e que ele trabalha com mais dois ajudantes. “Pesquisei, fiz orçamentos que variaram de R$ 3.500 a R$ 7.000. O combinado entre as partes foi de o serviço ser pago a cada semana, conforme o que é feito. “Confio no profissional e ele atende às nossas necessidades”.

A questão financeira pesou na decisão da professora aposentada Nilda Vivan Trazzi, 68 anos. “O pedreiro é muito mais barato. Conheci o profissional por meio de indicação e
ele é ótimo. Com dois ajudantes, ele concluiu a reforma em dois meses, isso porque choveu”.  aposentada reformou quintal, sala, cozinha e corredor, com pintura, troca de pisos, pia e vitrôs. O serviço custou R$ 7.000, incluindo a compra de materiais. “Eles trabalhavam das 7hs às 17h. Foram caprichosos, cumpriram com o prazo e o serviço ficou ótimo. Além disso, sei onde moram, tenho o contato deles para qualquer eventualidade.”

Procon dá dicas de como evitar problemas

A supervisora da área de produtos e serviços Procon-SP, Márcia Christina Oliveira, aconselha que tanto para a contratação de pedreiros quanto de empreiteiras é preciso
firmar contrato. “Isso estabelece garantia para quem contrata os serviços. No caso de alguma reclamação ou falta de cumprimento do que foi firmado, a pessoa pode acionar
o Procon para tentar reverter a situação”. É preciso que conste no documento (contrato) recibos e pagamentos do que foi feito, endereço, RG e CPF do profissional ou da empresa,
prazo de entrega da obra, valor acordado pelo serviço e formas de pagamento. “Entregue isso, vamos notificar o profissional e num prazo de dez dias é preciso que haja algum acordo. Caso contrário, é marcada audiência de reconciliação. O que não pode acontecer é
deixar de recorrer.”

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