Introdução

Na primeira vez que se entra na comunidade de Serenbe, no interior de Chattahoochee Hill, região central da Georgia (em inglês), você poderá notar várias coisas. Você pode ser agradavelmente surpreendido ao ver que as ruas não são entupidas de carros ou ao ver vizinhos reunidos em suas varandas aproveitando o sol da tarde. Porém, o que você não perceberá são os materiais renováveis que compõem as casas, as instalações com energia que as servem ou servem as plantas orgânicas e nativas que as cercam.

Foto cortesia Serenbe

Onde estão todos os carros? Esta comunidade sustentável possui várias lojinhas e restaurantes conectados por ruas projetadas para pedestres que diminui a necessidade de dirigir.­

Mas foi para isso que a Serenbe foi projetada. Como outras comunidades sustentáveis (também chamadas de ecovilas), Serenbe busca reduzir o seu impacto sobre o meio ambiente sem reduzir a qualidade de vida. As pessoas que se unem a comunidades sustentáveis acreditam que a atual taxa de consumo e criação de lixo da humanidade não é boa para a sua saúde nem para a da Terra.

De acordo com o World Wildlife Fund, as pessoas, hoje em dia, usam recursos em um tempo 25% mais rápido do que levam para ser renovados. Se continuarmos a seguir esse caminho, vamos precisar de um segundo planeta por volta do ano 2050. [fonte: World Wildlife Fund]. As comunidades sustentáveis tentam mudar esse caminho por meio de alterações drásticas na forma com que os cidadãos interagem com o ambiente.

Também conhecidas como comunidades verdes ou eco-vilarejos, as comunidades sustentáveis variam quanto as suas abordagens sobre a vida sustentável, ou um modo de vida que atenda às necessidades básicas dapopulação de formas que possam ser mantidas indefinidamente para as gerações futuras. Algumas comunidades enfocam apenas o enriquecimento do ambiente, enquanto outras também têm o objetivo de melhorar as condições sociais e econômicas.

A sua comunidade pode ser sustentável ou “verde”? Neste artigo, você vai saber sobre as características básicas das comunidades sustentáveis antes de ver alguns exemplos práticos existentes ao redor do mundo, bem como outros tipos de combinação de modos de vida que beneficiam a Terra.

Características de Comunidades de Vida Sustentável

As comunidades sustentáveis geralmente buscam minimizar o lixoreduzir o consumopreservar o espaço aberto. Idealmente, elas não utilizam recursos mais rapidamente do que eles podem ser repostos, e elas não produzem desperdício mais rápido do que ele pode ser re-assimilado no ambiente. Com certeza algumas comunidades são mais radicais que outras (algumas levam vidas totalmente desconectadas dos serviços públicos e evitam o uso do dinheiro emitido pelo governo), mas os princípios básicos são semelhantes.

Foto de cortesia Serenbe Serenbe possui uma fazenda orgânica de 20 acres, o que elimina a necessidade de comprar alimentos de locais distantes.

Projetar o bairro de forma a encorajar caminhadas ou o uso de bicicletas é uma das formas das comunidades sustentáveis colocarem esses dois primeiros princípios em prática. Menos pilotagem significa menos gasolina e emissões reduzidas. Muitos eco-vilarejos também possuem espaço para trabalho em casa ou encorajam as pessoas a trabalharem em casa. Elas também podem lotear uma parte do projeto para uso comercial, tornando a comunidade um ambiente auto-suficiente, no qual os residentes não precisam nem mesmo sair para fazer compras ou se divertirem. Este projeto é denominado, às vezes, como um estilo de vida viver-trabalhar-brincar.

O uso de técnicas de construção sustentável é outro componente das comunidades sustentáveis. Aqui estão alguns exemplos:

  • Arquitetos projetam prédios para tirar vantagem das capacidades de iluminação e aquecimento do sol‘.
  • Eles instalam sistemas de economia de energia.
  • Eles tentam usar fontes locais de materiais tanto quanto possível para eliminar os custos ambientais do transporte.
  • Eles constroem com materiais duráveis e atóxicos que tenham sidoreciclados ou colhidos de forma sustentável.

Você pode ver casas de fardos de palha (em inglês), que essencialmente usam fardos de palha como blocos estruturais; casas de massa, que são uma mistura de palha, barro e areia, ou casas de sacos de terra, que são exatamente o que o nome faz parecer: casas feitas de sacos cheios de terra.

Além das técnicas de construção verdes, as comunidades sustentáveis apóiam-se em métodos de jardinagem verde (em inglês). Eles criam paisagens com plantas nativas e tolerantes à seca, que são criadas organicamente para reduzir o uso de água e manter os pesticidas e herbicidas longe do ambiente. Alguns povoados, como Serenbe, também mantêm jardins vegetais orgânicos que podem ser dimensionados para garantir uma fonte de alimentação local.

Foto cortesia Serenbe Cerca de oitenta por cento de é constituída de espaço verde.

Muitas comunidades também separam uma parcela substancial de seu terreno como espaço aberto. Serenbe, por exemplo, reserva 80% de seus 900 acres para espaço verde, sendo 720 acres de colinas ondulantes, bosques e riachos livres de desenvolvimento. [fonte: Thuston]. Um grande contraste com o amontoado urbano coberto de concreto em Atlanta, distante por apenas 54 quilômetros.

Outra forma com a qual as comunidades sustentáveis reduzem suas pegadas ecológicas é a captura e reciclagem do seu lixo, o que muitas vezes cria os seus próprios ciclos naturais contidos. Em vez de tratar os produtos normalmente identificados como lixo (como água de chuva e esgoto), os habitantes os transformam em recursos. O esgoto, por exemplo, é transformado em um composto que fertiliza as plantas e aumenta a produtividade do solo, e a água da chuva é recolhida e purificada por meio de inovadores sistemas de filtragem e reutilizada para regar as plantas. Para mais informações sobre essas técnicas, leia Como Funciona a Compostagemreuso da água cizenta.

Exemplos de Comunidades Sustentáveis

Existem mais de 400 eco-vilarejos no mundo, de acordo com o banco de dados da Global Ecovillage Network. Os exemplos a seguir descrevem a vida em apenas três dessas comunidades.

Russell Illig/ Getty Images - As comunidades sustentáveis projetam suas casas para economizar energia, como esta casa com painéis solares.

Eco-vilarejo Dancing Rabbit, Missouri
O Eco-vilarejo Dancing Rabbit é uma comunidade de 280 acres em desenvolvimento ao nordeste de Missouri com metas de longo alcance. A comunidade busca ser uma cidade totalmente auto-dependente que pratica a “sustentabilidade ambiental radical,” conforme o Web site da comunidade. Os fundadores da cidade esperam atrair entre 500 e 1,000 habitantes para criar uma comunidade diversificada com maior capacidade de suprir totalmente as suas próprias necessidades. [fonte: Dancing Rabbit]. A Dancing Rabbit tem até mesmo a sua própria moeda local, para incentivar o comércio local e a geração de empregos locais.

O eco-vilarejo estabeleceu um conjunto de seis diretrizes que podem parecer extremas para os ambientalistas acomodados entre nós, mas que deverão dirigir a cidade em seu caminho rumo à conquista da sustentabilidade.

  1. Nenhum veículo será usado dentro do vilarejo.
  2. Combustíveis fósseis para carros, refrigeração, aquecimento e refrigeração doméstica (inglês), bem como aquecimento doméstico de água não são permitidos.
  3. Toda a jardinagem deve ser orgânica.
  4. Toda energia deve vir de recursos renováveis.
  5. Não é permitida madeira vinda de fora da área local, a menos que sejareciclada ou recuperada.
  6. Lixo orgânico e materiais recicláveis devem ser reincorporados em produtos utilizáveis por meio de métodos como de compostagem.

A longo prazo, os cidadãos de Dancing Rabbit pretendem alcançar o crescimento populacional negativo. Se eles querem que os cerca de 50 habitantes atuais se tornem 500 ou 1000, eles talvez queiram repensar sobre a última diretriz.

Eco-vilarejo de Los Angeles , Califórnia
Talvez você pense que as comunidades sustentáveis devam ser mantidas no campo, mas não é verdade. Localizada apenas cerca de 4 quilômetros ao oeste do centro de Los Angeles (em inglês), o Los Angeles Ecovillage (LAEV) é uma comunidade de 500 residentes que buscam causar impacto mínimo sobre o ambiente e ao mesmo tempo oferecer uma forma de vida enriquecedora. [fonte: Los Angeles Eco-Village]. A localização urbana próxima ao tráfego público, escolas, igrejas, serviços comerciais e indústrias ajuda os habitantes a dirigir menos, enquanto as dezenas de jardins e árvores frutíferas fornecem uma fonte de alimentação local (em inglês).

O LAEV usa uma abordagem de sistema integral para a sustentabilidade, o que significa que os habitantes buscam balancear as necessidades sociais, econômicas e ambientais da comunidade. Aqui, a água e o ar limpos estão ao lado de relacionamentos estreitos, diversidade étnica e moradia acessível. Os moradores recuperaram 20 toneladas de tijolos do depósito de lixo para usar em projetos de construção, compostaram mais de 100 jardas cúbicas de lixo de jardim e promovem incontáveis jantares comunitários semanais para estabelecer e fortalecer relacionamentos. Quem saberia que a sustentabilidade seria possível mesmo em uma das maiores e mais poluídas cidades dos Estados Unidos?

O Eco-bairro Earthsong, Nova Zelândia

Bem longe dos Estados Unidos, na Nova Zelândia (em inglês), existe outra comunidade com pensamento ambiental que está brotando. O Earthsong uniu os dois conceitos de permacultura e habitação conjunta para formar a sua própria comunidade verde. A permacultura é um método sustentável de paisagismo comestível que minimiza o uso de água e energia, enquanto ahabitação conjunta é o compartilhamento de recursos comuns por um grupo de pessoas.

Os habitantes de Earthsong possuem suas casas próprias, mas eles também têm acesso compartilhado ao terreno comum e à casa comum. A casa comum é o lugar onde os habitantes socializam-se e utilizam confortos como a biblioteca, lavanderia e a sala de artesanato. Casas individuais no bairro são feitas de terra batida, que é um tipo de material de construção natural com excelente capacidade para manter casas frescas no verão e aquecidas no inverno. Além disso, as casas são equipadas com painéis solares, e os telhados coletam água da chuva.

No Brasil

O Brasil também tem suas ecovilas ou comunidades sustentáveis. Algumas não são exatamente comunidades, mas sítios onde as pessoas costumam viver a partir dos princípios de sustentabilidade. Em alguns casos são organizações de permacultura. Outras, apesar de pequenas, têm esse caráter comunitário forte. O Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica, que fica em Ubatuba (litoral de São Paulo) reúne esses dois aspectos já que tem também a ecovila do Corcovado. Boa parte das ecovilas envolve também tem questões espirituais entre seus princípios. Para saber sobre elas, acesse o siteEcovilas Brasil.

Fonte: http://ambiente.hsw.uol.com.br/

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