Não apenas as pressões econômicas, como também o crescente aumento do preço do petróleo impulsiona a demanda pelo isolamento térmico efetivo, além das fontes energéticas alternativas na construção de casas.

Assim, o recém introduzido certificado energético para construções da Alemanha, deverá futuramente permitir uma maior transparência em relação à verdadeira necessidade energética de uma construção. Também será possível otimizar o uso de energia dos antigos prédios e até monumentos arquitetônicos. “A economia energética geralmente começa com uma melhoria no sistema de aquecimento”, enfatiza Gerhard Weiss, diretor das atividades de conservação regional de Hessen. Além disso, o senso de responsabilidade em relação ao meio ambiente leva muitas construtoras a evitar, se possível totalmente, o uso de combustíveis fósseis. Porém, energia geotérmica e solar para as residências com eficiente isolamento térmico, são somente aspectos parciais de um princípio muito mais fundamental: a sustentabilidade na construção.

Planejamento sustentável

O que no alemão denomina-se de forma um pouco austera de “ökologische Architektur” (arquitetura ecológica), em inglês recebeu um nome mais imaginativo: “Green Architecture”. E essa é uma tendência mundial – seguida por estrelas da arquitetura como Norman Foster, assim como pelo engenheiro Werner Sobek com a casa modelo R128, em Stuttgart. Já nos anos de 1990, Stefan Behnisch, que tornou a ecologia uma marca do seu escritório, projetou na Holanda o Instituto de Pesquisa “Alterra”, uma casa de vidro construída em torno de um oásis verde (jardins interiores). A sede da Agência Ambiental Federal em Dessau, projetada por Matthias Sauerbruch e Luisa Hutton, é um modelo de arquitetura verde, graças a uma estrutura de construção leve, com uma fachada exterior altamente isolada, um permutador de calor geotérmico baseado em ar e energia geotérmica, assim como um sistema de ar condicionado alimentado por energia solar para áreas particularmente quentes, como a central de computadores e a cozinha.


A Escola METI, em Rudrapur (Bangladesh), projetada por Anna Heringer e Eike Roswag assinala a complexidade da área de sustentabilidade. Ali foram desenvolvidas técnicas de construção tradicionais e utilizados materiais de construção locais como argila e bambu, acompanhados de ventilação natural, de forma que não foi necessário ar condicionado artificial. O projeto foi concretizado em uma das regiões mais pobres do país, fortalecendo assim a economia local.

Afinal, a sustentabilidade abrange mais do que a construção de uma casa individual; ela inclui uma série de medidas. “A construção urbana é o campo mais importante para a longevidade e sustentabilidade”, ressalta o arquiteto de Vorarlberg, Carlo Baumschager, da empresa Baumschlager Eberle, internacionalmente reconhecida. A Carta de Leipzig sobre as Cidades Européias Sustentáveis – uma declaração de intenções que atua como diretriz para futuros planejamentos urbanos, adotada em 2007 durante a Presidência Alemã na União Européia – sublinha, por isso, que o conceito que combina moradia, trabalho, educação, fornecimento e formação de espaços de lazer nos distritos urbanos provou ser particularmente sustentável.

Desperdiçando valiosos recursos

O interesse de retorno em curto prazo por parte dos investidores que estão dispostos a esperar pouco tempo pela amortização de um grande projeto de construção, podem rapidamente se tornar um problema para as autoridades municipais. As cidades devem ser projetadas para durar – como aconteceu durante séculos. Mas muitas vezes a construção urbana e a arquitetura são dominadas pela “mentalidade do jogar fora”: se uma construção não corresponde mais às expectativas dos usuários, ou se a renovação é custosa, ronda a ameaça da demolição, denominada eufemisticamente de “remodelação”. Cada demolição de prédio significa também uma intervenção no projeto urbano e não apenas desperdiça energias valiosas já investidas na construção, mas também produz lixo – frequentemente lixo tóxico. O resultado é um desperdício de recursos valiosos.

Qualidade e durabilidade

É por isso que as cidades devem ser planejadas de forma que suas unidades funcionais – as casas – tenham uma durabilidade de mais do que apenas trinta anos. Um empreendimento nada fácil em uma época em que algumas cidades na Alemanha estão expostas a processos de encolhimento, enquanto muitas outras cidades no mundo todo crescem vertiginosamente. Além disso, mudam as exigências de utilização e especificações técnicas para construções – e portanto, para a cidade – em intervalos sempre mais curtos. Por fim, planejamento urbano significa pensar hoje nas cidades de amanhã. Por trás disso está uma pergunta aparentemente simples, mas para a qual não há uma resposta simples, por conta dos interesses individuais freqüentemente antagônicos dos grupos que participam do planejamento urbano: “Que tipo de cidade nós queremos?” foi colocado por Carlo Baumschlager. A idéia de sustentabilidade, que tem em vista também os impactos para a próxima geração, deve dar prioridade a isso e não aos interesses individuais de curto prazo.

Pequenos passos e medidas simples

Porém, o que isso significa para a arquitetura? São geralmente pequenos passos e medidas simples que ajudam a encontrar a via para um planejamento urbano e arquitetônico sustentável: isso pode ser iniciado através de medidas para o esgotamento do potencial de poupança energética em construções novas – desde o isolamento térmico e dos sistemas fotovoltaicos até a energia solar. Mas, a construção sustentável significa também usar materiais existentes na região, ao invés de importá-los utilizando energia intensiva. Significa ainda otimizar construções já existentes ou convertê-las em novas utilizações, ao invés de continuar identificando novas áreas de construção, o que contribui igualmente para a destruição ambiental. Os arquitetos Baumschlager Eberle desenvolveram para além dessas medidas, um outro conceito para seus projetos: eles objetivam a criação de estruturas de construção as mais neutras possíveis para tornar mais fáceis as futuras conversões para residências ou escritórios. Esse tipo de estrutura de construção flexível não significa necessariamente gerar monotonia urbanística ou arquitetônica. O design das fachadas dá conta disso. Mas também nesse aspecto vale o que se aplica a toda forma de construção sustentável: a imprescindível qualidade.

Jürgen Tietz é crítico de arquitetura free-lance em Berlim
Tradução: Hedda Malina

Copyright: Goethe-Institut e. V., Online-Redaktion
Abril de 2008

Fonte: http://www.goethe.de/ges/umw/dos/nac/buw/pt3323325.htm

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